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Backhand no tênis: de uma ou de duas mãos, tudo que você precisa saber

O backhand, ou revés, significa golpear a bola com as costas da palma da mão dominante voltada para a rede

O backhand é um golpe de fundo, que pode ser executado com uma ou duas mãos. É muito comum jogadores utilizarem este golpe em apenas um terço da quadra. Nos outros dois terços utiliza-se o forehand (direita para os destros), golpe em que os jogadores tem mais confiança.

Para entender melhor sobre esse golpe, vamos analisar os seguintes pontos:

  • As principais diferenças entre o backhand e o forehand
  • As principais diferenças, vantagens e desvantagens do backhand de uma e de duas mãos
  • A transição de duas para uma mão
  • A transição de uma para duas mãos
  • A mecânica (técnica) do backhand
  • Treinamento do backhand para crianças e as características de cada faixa etária

Backhand X forehand

Um bom tenista pode ser identificado pelo seu backhand, golpe que exige mais técnica que o forehand. Há quem afirme que uma esquerda bem treinada acaba sendo um golpe mais eficiente, confortável e natural que o forehand.

O forehand facilita a batida através de uma flexão do cotovelo. Espera-se a chegada da bola de frente para ela, com a raquete no braço que está atrás do corpo, facilitando o uso de uma musculatura mais potente, como ombro e bíceps.

No backhand, ou revés, o tenista segura a raquete pelo braço que está à frente do ombro. Dessa forma, fica mais difícil dobrar o cotovelo para retificar o ponto de contato com a bola. Com uma mão tem uma dificuldade a mais, que é olhar a bola por cima do ombro, quase de costas. E a musculatura utilizada é mais frágil que a utilizada no forehand.

Backhand com uma ou duas mãos?

Com uma ou duas mãos, um excelente backhand é um dos principais diferenciais que separam grandes jogadores de bons jogadores.

Mulheres e crianças sempre começaram a jogar com duas mãos no backhand por causa do peso da raquete. Mas quem aprendia a jogar até os anos 80, trocava para uma mão tão logo se iniciava no tênis competitivo. Nessa época era esquisitíssimo bater a esquerda com duas mãos.

Nos últimos 30 anos, duas mãos deixou de ser considerado coisa de quem não aguenta o peso da raquete. É coisa de quem quer bater mais forte e também de quem tem pressa em ficar competitivo. Bater com uma mão demora bem mais tempo para calibrar. Bjorn Borg, um dos maiores tenistas da história, foi quem consagrou o backhand com duas mãos. Depois dele vieram Jimmy Connors e Agassi, inspiração para toda uma geração de novos tenistas.

A tendência nos dias de hoje é para o uso de duas mãos. As crianças se iniciam com as duas mãos e não são mais “forçadas” a trocar para uma mão. Há uma estimativa de que os professores que ensinam a esquerda com as duas mãos estão na proporção de 30 para 1, em relação aos que ensinam com uma mão. A proporção de alunos treinados com backhand de duas mãos é maior ainda: cerca de 100 para 1. A tendência é tornar o tênis um esporte menos unilateral e mais saudável à formação física dos jogadores.

Entretanto, as características físicas, habilidades de coordenação e estilo de jogo variam muito de pessoa para pessoa. O treinador deve respeitar e ajudar cada aluno no desenvolvimento de seu próprio backhand.

Mas, afinal, qual das duas esquerdas é melhor, batida com uma ou duas mãos?

Backhand com uma mão, como Federer, Sampras, Steffi Graf e Guga, ou com duas, como Nadal, Agassi, Djokovic e Murray? No jogo profissional feminino, desde Monica Seles, com raras exceções como Justine Henin, praticamente todas as jogadoras batem o backhand com as duas mãos: Martina Hingis, Kim Cljsters, Maria Sharapova e as irmãs Williams. Apesar da maior predominância de duas mãos hoje, o backhand de uma mão ainda é eficiente em nível competitivo. Alguns dos principais tenistas que utilizam o backhand de uma mão são: Federer, Wawrinka, Thiem, Gasquet, Dimitrov, Cuevas e Karlovic

Vantagens técnicas do backhand com uma mão:

  • Facilita o uso do slice
  • A execução do approach
  • O bloqueio da devolução de saque
  • O voleio
  • Um maior alcance
  • As variações de efeitos

Vantagens técnicas do backhand com duas mãos:

  • Potência
  • Efeito top spin (angulações, passadas e lob)
  • Esconder o golpe (passadas e lob)
  • Controle
  • Força para bater bolas altas
  • Menor incidência de lesão do tipo tennis elbow.

Mudança de duas para uma mão no backhand

O backhand com duas mãos é, nada mais nada menos, que um golpe feito pelo braço não-dominante usando o dominante como guia. Entretanto, poucos tenistas profissionais mudaram a técnica de backhand de uma para duas mãos. Exemplos de tenistas que fizeram essa mudança:

Pete Sampras iniciou com o forehand de duas mãos e mudou para uma mão por sugestão de seu treinador. Mas a mudança não foi fácil. Demorou três anos até que se sentisse realmente confortável com essa mudança. O mesmo se deu com a italiana Roberta Vinci. Passou a usar uma mão no backhand aos 18 anos, quando já estava no circuito profissional. Ela admite que, se fosse hoje, não teria tomado a mesma decisão porque jogar com uma mão é muito difícil.

Quem também foi convencido a mudar sua técnica de backhand foi Stan Wawrinka, aos 11 anos. Mas provavelmente devido à pouca idade, a mudança foi natural.

Fernando Meligeni é um exemplo de troca bem-sucedida de duas para uma mão.

Até 1996, como juvenil, e já estando incluído entre os 100 primeiros do mundo no ranking da ATP, decidiu optar por uma mão no backhand, alcançando seus melhores resultados depois disso.

O treinamento para a mudança de duas para uma mão no backhand deve focar em primeiro lugar na adaptação do tenista à nova empunhadura com a mão direita. A mais recomendada é uma Eastern de esquerda. Em segundo lugar vem o ponto de contato do golpe, que será mais à frente do corpo, exigindo uma redução drástica do giro (movimento do quadril) no momento da batida.

A seguir deve ser implantada a terminação do golpe, bem mais longa agora, para o braço direito.

E, finalmente, atentar para os apoios que deverão vir a ser quase sempre neutros, ou com a perna trocada, com a direita na frente para os destros, em diagonal, ou fechados.

Boas práticas para a mudança de duas para uma mão, incluem exercitar bastante o voleio e o slice de backhand com uma mão.

Mudança de uma para duas mãos

É a mudança menos frequente no backhand, motivada, no nível avançado, mais por problemas físicos que por razões técnicas.

Entretanto, é mais fácil que mudar de duas para uma mão porque a mão direita, dominante, continuará no cabo da raquete. Apesar de mais fácil, é a que leva mais tempo para se tornar natural, porque dependerá de um ajuste de coordenação motora em que a mão esquerda, não dominante no caso dos destros, tem que assumir o comando do golpe ou se tornar, para esse golpe específico, a mão dominante. A nova distância do golpe com as duas mãos deve ser menor do que a executada com uma mão. Um apoio neutro das pernas facilitará encontrar a distância e o ponto de contato ideal.

O treinamento para essa mudança deve se iniciar com um forehand de canhoto, onde a raquete é segura pela mão esquerda, no meio do cabo, com uma empunhadura semi-Western ou Eastern. A seguir a mão direita se coloca no final do cabo da raquete, com uma empunhadura que se ajuste e fique confortável em todo o movimento do golpe, como uma pegada do martelo, ou Continental. O alongamento da terminação do golpe deve ser exercitado muitas vezes e ser executado mesmo sem bola para que comece a fluir e o tenista consiga golpear a bola de forma satisfatória.

A mecânica (técnica) do backhand

Giro dos ombros

O tronco deve ser rotacionado para o lado da bola assim que se detecte que o adversário atacou seu backhand.

Corrida em direção ao ponto de contato com a bola

Corrida de frente, natural, em passos curtos e rápidos que permitam fazer um bom ajuste da bola com a raquete. O pé direito deve ser, para os destros, o primeiro passo em direção à bola. Isso vai ajudar bastante o resto da corrida, evitando a corrida de frente para quadra que compromete toda a sequência do golpe.

O braço

Seja o backhand com uma ou duas mãos, durante a corrida deve-se firmar a raquete no braço que está atrás, flexionado. O braço que está segurando a raquete deve estar relaxado. Ele será acionado apenas na hora da batida.

O punho e a empunhadura

O punho deve ser mantido estável para não comprometer a colocação dos golpes. Não se deve apertar demais a empunhadura durante o golpe: numa escala de aperto entre zero e dez, deve-se optar pelo seis.

Empunhadura

A empunhadura no backhand deve ser algo entre a continental e a eastern. Cabe a cada jogador definir a posição exata que se sente mais confortável.

O pé

Na hora da rebatida, o peso do corpo se apoia no pé que vai à frente para puxar a raquete de encontro à bola. O pé deve ser lançado em direção ao poste da rede, para evitar que o quadril fique de costas para a bola.

Fluência no movimento da raquete

Para que não haja interrupção na fluência da dinâmica da raquete, torna-se necessária uma preparação em forma de looping ou elipse. Isto é, subir a raquete na altura do ombro e descer na altura da cintura ou abaixo dela. Um bom golpe precisa deixar a raquete seguir a bola (follow thru) em direção ao alvo.

Treinamento do backhand de crianças

Definição de lateralidade: considera-se que com três anos de idade esteja definido se uma criança é destra ou canhota. Entretanto, até os seis ou oito anos essa lateralidade pode sofrer variações, principalmente nos casos de uso da mão esquerda. Esses casos, chamados de dominância ambígua, requerem certa prudência no treinamento. É preciso estimular a definição da lateralidade por meio de joguinhos e desafios com a raquete e a bolinha antes de iniciar o treinamento propriamente dito.

Veja qual a idade ideal para começar a jogar tênis

Deslocamentos e rebatidas de backhand por faixa etária:

De 8 a 10 anos

Nesta fase a criança já consegue combinar deslocamentos com rebatidas. A empunhadura do backhand vai aparecer naturalmente num exercício de pega e rebate: a raquete fica no chão, com o cabo perto da linha central e a cabeça apontando a parede lateral da quadra, do lado não dominante. A um sinal dado a criança corre, pega a raquete do chão e rebate uma bola lançada com a mão.

De 10 a 12 anos

A criança já consegue se deslocar melhor e controlar direção, profundidade e, em alguns casos, até mesmo, os efeitos topspin e slice. O jogo dos quadrantes é um bom exercício: a quadra é dividida em quatro quadrantes. O ponto se inicia com a criança mandando duas esquerdas seguidas em quadrantes diferentes.

De 13 anos em diante

Observa-se que os infanto-juvenis têm dificuldade em rebater bolas que vêm altas no backhand, o que exige mais variação nos treinos. Um dos jogos mais interessantes para isso é o corta-balão: a primeira bola deve ser lançada bem alta na esquerda, e o ponto só tem início quando o jogador rebater a bola na subida.

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