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Psicologia no tênis: como o lado mental pode afetar o seu jogo

O tênis é um esporte difícil do ponto de vista da psicologia, sua prática requer uma combinação precisa entre coordenação, tempo de bola, velocidade, tomada de decisão e habilidade

Numa partida importante os jogadores realizam de 900 a 1000 tomadas de decisão, cada uma em menos de um segundo. Isso, aliado ao fato de o jogador enfrentar seu adversário face a face, levam os estudiosos da psicologia no esporte a concluir que o tênis é o esporte que mais provoca tensões. Essas tensões determinam, muitas vezes, os rumos de grandes decisões em torneios.

Trabalhar o psicológico deve fazer parte do treinamento de todo tenista. Deve-se começar pela conscientização dos seus padrões comportamentais e características individuais. A partir deles é que serão desenvolvidas as habilidades psicológicas necessárias para que ele se torne um atleta diferenciado.

Comportamentos são aprendidos e pessoas são capazes de mudar características ao longo do tempo, ao se empenhar nisso. Mais ainda: qualquer habilidade pode ser desenvolvida. Assim como as habilidades físicas e técnicas, as psicológicas necessitam de conhecimento, tempo e prática para serem assimiladas e internalizadas. É assim que se torna possível melhorar o desempenho e obter resultados mais consistentes.

Principais habilidades psicológicas necessárias a um tenista

1. Equilíbrio emocional

Em primeiro lugar vem o equilíbrio emocional, que é vital para um tenista. Mais do que em qualquer outro esporte competitivo, numa partida de tênis as emoções oscilam abruptamente. Tudo depende dele, que está todo o tempo face a face com seu adversário. Sem equilíbrio emocional, um erro pode levar à derrota por ocasionar uma avalanche de sentimentos negativos.

Para manter esse equilíbrio, é necessário que o tenista consiga aceitar seus erros. Cometer erros, principalmente não forçados, pode ser muito frustrante, significa perder o ponto por sua culpa. Erros são frequentes durante um jogo e exigem retorno rápido. Se se deixar levar por emoções como raiva, frustração e medo, sofrerá, em consequência, tensão muscular e desvio de concentração. É quando se diz que o jogador “saiu do jogo”.

Além de aceitar seus erros, o tenista precisa conseguir se desapegar deles, assim como de seus acertos e bons momentos durante uma partida. Não importa se o primeiro set foi 6 a 0, e está 5 a 1 no segundo. Ainda assim é preciso ganhar o último game e o último ponto. Visualizar as jogadas, ou prevê-las, também pode ser um importante exercício para uma melhor performance. A utilização do recurso visual da mente é uma técnica extremamente eficiente na psicologia no tênis. A capacidade de visualizar o jogo em sua totalidade permite ao jogador, mesmo após o erro, recuperar-se buscando novas estratégias nas jogadas.

2. Concentração

Em qualquer esporte a concentração é um aspecto importante para o bom rendimento, mas no tênis, ela é vital. As interações, trocas de bolas, saque e movimentação são rápidas, por isso a concentração é uma habilidade que precisa ser desenvolvida, praticada e internalizada.

Em quadra o tenista deve focar o pensamento na bolinha, no adversário e nas sensações corporais sem se deixar afetar por elementos externos que podem fazer com que se perca o foco. Esses elementos são, em geral, eventos que ele não pode controlar, como os ruídos dos aviões que sobrevoam as quadras, as condições de vento, as condições da quadra e a plateia.

Boa parte dos treinadores segue um método denominado “16 second cure”, destinado a desenvolver a capacidade de concentração dos atletas. Este método, além de ajudar o tenista a ser mais forte mentalmente, ajuda-o a focar-se no momento presente.

São quatro as fases do método “16 second cure”:

1. Resposta positiva: tão logo o ponto termine, tendo ganhado ou perdido, o jogador tem de apresentar uma imagem corporal positiva, com ombros relaxados e cabeça levantada, segurar a raquete com a mão não dominante para relaxar a outra, virar as costas para a rede e começar a andar para o fundo da quadra, deixando para trás tudo o que se passou;

2. Relaxamento: mexer e olhar para as cordas, respirar fundo, ir à toalha, relaxar os braços e mãos, mostrando, mesmo nessa fase, imagem forte e competitiva;

3. Concentração e estratégia para o próximo ponto: nesta fase o tenista deve começar a se posicionar para o próximo ponto, olhar para as cordas, olhar para o adversário com uma imagem corporal positiva, e pensar na estratégia que vai implementar. Dizer algumas palavras/ frases de ânimo, do tipo “vamos lá”.

4. Preparação/ritual: já preparado na posição para o próximo ponto, o jogador deve iniciar seu ritual que pode ser bater a bola 3 vezes, mexer nas orelhas e nariz, como Rafael Nadal, ou outro gesto que o jogador se sentir mais confortável a fazer. O importante é se preparar mentalmente para ser bem-sucedido.

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Um bom exercício para concentração é o esvaziamento da mente. É um jogo mental, interno, que se baseia em três princípios fundamentais:

  • Aquietar a mente
  • O não-julgamento
  • Confiar no próprio corpo.

Quando aprende a aplicá-los e experimenta os efeitos, o jogador sabe como fazer uso deles durante o jogo. Mantendo sua mente ativa, focado no jogo, o corpo responde pelos estímulos mentais, onde os movimentos são naturais e efetivos.

3. Desempenho sob pressão e sob adversidades

Aceitar o fato de que a ansiedade é inevitável na competição e saber que pode lidar com ela é uma habilidade essencial para um tenista. Antes do início de uma partida é natural sentir-se ansioso, agitado, apreensivo de que possa acontecer algo inesperado. O importante é que essas sensações não cresçam e se tornem amedrontadoras.

O treinador deve proporcionar ao tenista condições típicas competitivas, como treinos mais intensos, perdendo sets, com torcida a favor ou contra, com ruído e som alto. Com isso ele consegue desenvolver essa habilidade no jogador. Treinar a respirar profundamente entre os pontos, antes de sacar e quando se sentir agitado ou distraído também é imprescindível.

Cerca de 70 a 80% do tempo de uma partida de tênis se passa com a bola parada, entre pontos e entre trocas de lados. Esse tempo, também chamado de “tempo morto”, deve ser usado pelo tenista a seu favor, para controle de sua ansiedade e redução de seu ritmo cardíaco. Esse é um dos aspectos que faz com que o tênis seja um dos esportes mais exigentes a nível mental porque, não estando jogando, o jogador está pensando e sentindo emoções que têm impacto a nível mental e, consequentemente, físico e técnico-táctico. É importante aproveitar esse tempo para concentrar-se, planejar o que pretende fazer, raciocinar de maneira positiva ou negativa. Nesses momentos é que pode aparecer a ansiedade, as distrações e preocupações que levam o jogador a produzir erros.

4. Construção da confiança

A confiança é um dos elementos em que a psicologia esportiva pode atuar muito rapidamente e de maneira muito simples. É passar para o tenista o entendimento de que ele possui qualidades e também limitações. Deve saber utilizar suas qualidades nos momentos negativos e trabalhar suas limitações durante os treinos. Valorizar e usufruir das vitórias é um comportamento que estimula a autoconfiança do jogador e saber usar as derrotas a seu favor também, pois elas apontam os pontos que precisam ser desenvolvidos.

5. Estabelecimento de metas / motivação

Do ponto de vista da psicologia no tênis, é preferível estabelecer metas de atuação em vez de resultados. As metas de atuação podem ser controladas pelo tenista, enquanto os resultados, não. As metas de atuação são de esforço exclusivamente individual, como manter-se confiante nos momentos difíceis, atacar em bolas curtas, jogar preferencialmente golpes cruzados ou subir à rede. As metas por resultados, como ganhar um torneio ou chegar às quartas-de- final, por exemplo, são mais complexas de se atingir, pois não dependem só do indivíduo, mas de variáveis que não podem ser controladas por ele. Nesse caso, a probabilidade de frustração é muito alta.

Psicologia no tênis para treinadores

Os treinadores, assim como os jogadores, também sofrem grande pressão. Nos últimos anos, surgiu uma preocupação muito grande com a preparação psicológica deles. Nem sempre eles estão preparados para enfrentar a pressão psicológica e a tensão gerada pela necessidade de apresentar bons resultados. O risco desses profissionais sofrerem burnout, um estado de desmotivação pessoal e exaustão emocional do treinador, é muito alto. A psicologia do esporte pode capacitar os treinadores em diversas competências como: motivação, liderança e como criar a união de grupo.

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